Astrólogo nega alteração de signos
Astrólogo esclarece que os signos não mudaram. Os aficionados do zodíaco podem ficar descansados.
Não há razão para alarme. Afinal os signos não mudaram. Após uma notícia avançada por astrónomos norte-americanos de que o calendário do zodíaco tinha mudado, vem agora o astrólogo Jeff Jawer, em declarações à CNN, dizer que as alterações não são significativas.
O astrólogo sublinha que uma leitura mais atenta dos dados mostra que pouco ou nada mudou. Existem dois tipos de signos, o sideral e o tropical, este último utilizado no ocidente. Para a Astrologia Tropical, gerida pelas estações, o ponto inicial dos signos é fixo no grau zero do signo de Carneiro, enquanto na Astrologia Sideral o ponto inicial não e fixo e movimenta-se através das estrelas.
"Quando olhamos para a Astrologia ocidental, a sazonalidade nunca mudou, porque nunca foi orientada por constelações e mantém-se intacta há já dois milénios", esclareceu o astrólogo Jeff Jawer à CNN.
Segundo os especialistas, teorias como a que os astrónomos avançaram surgem regularmente, "quando alguém pensa ter descoberta uma novidade, o que nunca acontece".
in DN
Friday, January 14, 2011
O zodíaco mudou. E agora, qual é o seu signo?
Foi o assunto mais debatido na Internet ao longo de todo o dia de ontem: o calendário do zodíaco que conhecíamos até aqui está desfasado cerca de um mês. Crises de identidade à parte, há quem tenha agora de repensar as tatuagens com a figura do signo a que julgava pertencer...
11:20 Sexta feira, 14 de Jan de 2011
O zodíaco mudou. E agora, qual é o seu signo?
A notícia caiu como uma bomba entre os aficionados dos signos: Os astrónomos do Minnesota Planetarium Society, nos EUA, redefiniram o calendário do zodíaco. Na prática, quer dizer que a maioria de nós pertence ao signo anterior ao que julgava.
Se para muitos esta alteração nada representa, para outros o assunto é mais "grave": "Se o meu signo afinal é Balança, o que é que eu hei-de fazer à minha tatuagem de Escorpião", lia-se ontem no Twitter, onde esta questão foi precisamente a mais comentada do dia de quinta-feira.
A confusão foi lançada por um artigo publicado no Minneapolis Star Tribune, que explicava que os antigos astrónomos da Babilónia basearam os signos na constelação na qual o Sol se encontrava no dia do nascimento. Só que, ao longo dos milénios, a força gravitacional da Lua terá feito a Terra oscilar no seu eixo, criando um salto de um mês no alinhamento das estrelas, lê-se na entrevista de um astrónomo do Minnesota Planetarium Society ao Star Tribune.
Mas há mais: é que o artigo menciona também um 13º signo, que ficaria entre Escorpião e Sagitário, mas que vários astrónomos têm desvalorizado, dizendo que se refere a uma 13ª constelação (Ophiuchus), que teria sido posta de parte pelos babilónios, por quererem apenas 12 signos.
Para os curiosos, fica o calendário, segundo a nova perspetiva:
Capricórnio: De 20 Janeiro a 16 Fevereiro
Aquário: De 16 Fevereiro a 11 Março
Peixes: De 11 Março a 18 Abril
Carneiro: De 18 Abril a 13 Maio
Touro: De 13 Maio a 21 Junho
Gémeos: De 21 Junho a 20 Julho
Caranguejo: De 20 Julho a 10 Agosto
Leão: De 10 Agosto a 16 Setembro
Virgem: De 16 Setembro a 30 Outubro
Balança: De 30 de Outubro a 23 Novembro
Escorpião: De 23 a 29 Novembro
Serpentário (Ophiuchus): De 29 Novembro a 17 Dezembro
Sagitário: De 17 Dezembro a 20 Janeiro
in Visão
11:20 Sexta feira, 14 de Jan de 2011
O zodíaco mudou. E agora, qual é o seu signo?
A notícia caiu como uma bomba entre os aficionados dos signos: Os astrónomos do Minnesota Planetarium Society, nos EUA, redefiniram o calendário do zodíaco. Na prática, quer dizer que a maioria de nós pertence ao signo anterior ao que julgava.
Se para muitos esta alteração nada representa, para outros o assunto é mais "grave": "Se o meu signo afinal é Balança, o que é que eu hei-de fazer à minha tatuagem de Escorpião", lia-se ontem no Twitter, onde esta questão foi precisamente a mais comentada do dia de quinta-feira.
A confusão foi lançada por um artigo publicado no Minneapolis Star Tribune, que explicava que os antigos astrónomos da Babilónia basearam os signos na constelação na qual o Sol se encontrava no dia do nascimento. Só que, ao longo dos milénios, a força gravitacional da Lua terá feito a Terra oscilar no seu eixo, criando um salto de um mês no alinhamento das estrelas, lê-se na entrevista de um astrónomo do Minnesota Planetarium Society ao Star Tribune.
Mas há mais: é que o artigo menciona também um 13º signo, que ficaria entre Escorpião e Sagitário, mas que vários astrónomos têm desvalorizado, dizendo que se refere a uma 13ª constelação (Ophiuchus), que teria sido posta de parte pelos babilónios, por quererem apenas 12 signos.
Para os curiosos, fica o calendário, segundo a nova perspetiva:
Capricórnio: De 20 Janeiro a 16 Fevereiro
Aquário: De 16 Fevereiro a 11 Março
Peixes: De 11 Março a 18 Abril
Carneiro: De 18 Abril a 13 Maio
Touro: De 13 Maio a 21 Junho
Gémeos: De 21 Junho a 20 Julho
Caranguejo: De 20 Julho a 10 Agosto
Leão: De 10 Agosto a 16 Setembro
Virgem: De 16 Setembro a 30 Outubro
Balança: De 30 de Outubro a 23 Novembro
Escorpião: De 23 a 29 Novembro
Serpentário (Ophiuchus): De 29 Novembro a 17 Dezembro
Sagitário: De 17 Dezembro a 20 Janeiro
in Visão
Wednesday, January 12, 2011
Adeus Tommy

imagem made by Vento
Mais um casal que partiu para outras viagens. Não os conhecia tão bem quanto isso mas o grupo ficou mais pobre...lá se acabaram os mails com a assinatura do "É só rir.....rsrsrsrsrsrsrsr" ou "Eu só reencaminhei".
Vamos sentir a tua falta...eras conhecido pela boa disposição e pelo belo sorriso contagiante.
Ontem surgiram histórias, memórias, risos, lágrimas, boas recordações...ficas no coração de toda a malta!
Olhem por nós amigos e boas curvas na vossa nova viagem. Até um dia!
Monday, December 13, 2010
Morte de achado arqueológico
Numa das nossas aventuras pelas geocaches, encontr+amos uma que vale a pena partilhar convosco. Peço desculpa o autor, mas vou ter de copiar o texto que ele colocou...pode ser que alguém o consiga ler neste blog e fazer qualquer coisa para que este achado arqueológico não se perca para sempre...
Aqui vai:

(...)Situa-se na Praia das Maçãs, próximo do terminal da linha do eléctrico, e destina-se a dar a conhecer um importante conjunto sepulcral pré-histórico português.
O Tholos da Praia das Maçãs
Descoberto em 1927, é um dos mais importantes conjuntos sepulcrais pré-históricos. Só que em vez de ser explorado e aberto ao público, está totalmente abandonado e coberto de canaviais e outras plantas, servindo principalmente como sanitários a toda a gente que ali passa.
Há pouco tempo, teve uma mudança significativa. Mas não, ao contrário do que era de esperar, não foi arranjado. Foi simplesmente coberto de areia para não ser ainda mais vandalizado.
Actualmente a areia está coberta de vegetação, tornando este importante conjunto pré-histórico desconhecido de todos, incluindo de quem ali mora, e transformado num monte de areia e plantas.
O espólio deste conjunto foi preservado e pode ser visto no Museu Nacional de Arqueologia e Etnologia, Museu dos Serviços Geológicos de Portugal e no Museu Regional de Sintra.
Esperemos que rapidamente alguém com poderes para isso descubra a importância deste local e o arranje e disponibilize para visitas.

Este conjunto é composto por diversas câmaras, que mostram que a sua construção terá ocorrido em várias fases, entre 3800 e 3000 a.C.:
EN: This graveyard is composed in several chambers, which shows it has been build by several phases, between 3800 and 3000 B.C.:
1 - Câmara ocidental, com cerca de 2 m de diâmetro, escavada na rocha. / Western chamber, some 2 meters diameter.
2 - Pequeno corredor, revestido, no seu lado sul, por um muro de pedra. De referir a existência de dois nichos no final deste corredor, eventualmente para receber mobiliário votivo. / Small corridor, with a stone wall at south. There are two small doors at the end, probably used to receive some furniture.
3 - Câmara do tholos, com cerca de 5 a 5,5 m de diâmetro, rodeada por um muro de lajes calcárias dispostas horizontalmente. No centro possui uma cavidade onde se inseria um pilar que ajudava a sustentar o tecto da câmara.
in www.geocaching.com
Aqui vai:

(...)Situa-se na Praia das Maçãs, próximo do terminal da linha do eléctrico, e destina-se a dar a conhecer um importante conjunto sepulcral pré-histórico português.
O Tholos da Praia das Maçãs
Descoberto em 1927, é um dos mais importantes conjuntos sepulcrais pré-históricos. Só que em vez de ser explorado e aberto ao público, está totalmente abandonado e coberto de canaviais e outras plantas, servindo principalmente como sanitários a toda a gente que ali passa.
Há pouco tempo, teve uma mudança significativa. Mas não, ao contrário do que era de esperar, não foi arranjado. Foi simplesmente coberto de areia para não ser ainda mais vandalizado.
Actualmente a areia está coberta de vegetação, tornando este importante conjunto pré-histórico desconhecido de todos, incluindo de quem ali mora, e transformado num monte de areia e plantas.
O espólio deste conjunto foi preservado e pode ser visto no Museu Nacional de Arqueologia e Etnologia, Museu dos Serviços Geológicos de Portugal e no Museu Regional de Sintra.
Esperemos que rapidamente alguém com poderes para isso descubra a importância deste local e o arranje e disponibilize para visitas.

Este conjunto é composto por diversas câmaras, que mostram que a sua construção terá ocorrido em várias fases, entre 3800 e 3000 a.C.:
EN: This graveyard is composed in several chambers, which shows it has been build by several phases, between 3800 and 3000 B.C.:
1 - Câmara ocidental, com cerca de 2 m de diâmetro, escavada na rocha. / Western chamber, some 2 meters diameter.
2 - Pequeno corredor, revestido, no seu lado sul, por um muro de pedra. De referir a existência de dois nichos no final deste corredor, eventualmente para receber mobiliário votivo. / Small corridor, with a stone wall at south. There are two small doors at the end, probably used to receive some furniture.
3 - Câmara do tholos, com cerca de 5 a 5,5 m de diâmetro, rodeada por um muro de lajes calcárias dispostas horizontalmente. No centro possui uma cavidade onde se inseria um pilar que ajudava a sustentar o tecto da câmara.
in www.geocaching.com
Friday, December 3, 2010
Datos de contacto para compañía aérea
A partir de ahora, aquellos que utilicéis la agencia de viajes, observaréis que nuestro agente de viajes os solicitará un teléfono y nombre al que las compañías aéreas puedan contactar en caso de necesidad.
El motivo es que el Parlamento Europeo ha promulgado el Reglamento 996/2010 sobre investigación y prevención de accidentes en la aviación civil cuya fecha de entrada en vigor es el 2 de Diciembre.
Por lo tanto, desde ayer, la norma obliga a las compañías aéreas a solicitar a sus viajeros el nombre y teléfono de contacto de un familiar o allegado, a quien poder informar con rapidez sobre cualquier emergencia aérea que le afecte. El precepto normativo prohíbe cualquier uso distinto de la información facilitada, la comunicación a terceros o su utilización con fines comerciales.
Facilitar esta información es voluntario, por tanto en el caso de que de no hacerlo, la compañía de viajes lo reflejará en el campo obligatorio de la reserva, con la palabra “REFUSED”.
El motivo es que el Parlamento Europeo ha promulgado el Reglamento 996/2010 sobre investigación y prevención de accidentes en la aviación civil cuya fecha de entrada en vigor es el 2 de Diciembre.
Por lo tanto, desde ayer, la norma obliga a las compañías aéreas a solicitar a sus viajeros el nombre y teléfono de contacto de un familiar o allegado, a quien poder informar con rapidez sobre cualquier emergencia aérea que le afecte. El precepto normativo prohíbe cualquier uso distinto de la información facilitada, la comunicación a terceros o su utilización con fines comerciales.
Facilitar esta información es voluntario, por tanto en el caso de que de no hacerlo, la compañía de viajes lo reflejará en el campo obligatorio de la reserva, con la palabra “REFUSED”.
Monday, November 29, 2010
Morreu o actor canadiano Leslie Nielsen

O actor canadiano Leslie Nielsen, protagonista da comédia "Aeroplano", morreu ontem num hospital da Florida, nos Estados Unidos, aos 84 anos, anunciou o seu sobrinho Doug Nielsen.
O estado de saúde de Leslie Nielsen, hospitalizado há 12 dias por problemas pulmonares, começou a agravar-se nas últimas 48 horas, indicou Doug Nielsen à rádio CKNW.
No domingo à tarde, "com os seus amigos e a sua mulher, Barbaree, ao seu lado, ele adormeceu e morreu", disse ainda Doug Nielsen.
Leslie Nielsen ficou conhecido pela participação em várias séries de televisão norte-americanas de sucesso como "Peyton Place", "Dr. Kildare", "Le Fugitif", "Kojak" ou "M.A.S.H.".
Posteriormente tornou-se uma celebridade mundial graças à participação em filmes de culto na área da comédia como "Aeroplano" (1980), "Onde Pára a Polícia" (1988), "Onde Pára a Polícia 2 1/2: O Cheiro do Medo" (1991) ou "Onde Pára a Polícia 33 1/3" (1994).
in Público
Wednesday, November 24, 2010
Portugal está a deixar cair a geração mais qualificada
Greve geral
Portugal está a deixar cair a geração mais qualificada
24.11.2010 - 11:34 Por Luís Francisco
Nunca houve tantos licenciados em Portugal. E nunca foi tão difícil para os jovens encontrar emprego. As centrais sindicais dizem que a greve geral também é feita em nome desta geração que se pode perder, entre a precariedade e o apelo da emigração. Num cenário de "défice democrático" no mundo laboral, os melhores são os que arriscam sair do país.
A taxa de desemprego entre os jovens mais do que duplica o índice geral. Entre os que arranjam emprego, só cerca de um terço escapa à regra dos contratos a termo, recibos verdes e outras formas de precariedade. Um em cada dez licenciados abandona o país. É o retrato de uma geração sem saída. Em tempos de greve geral, não espanta que as centrais sindicais tenham colocado os jovens na primeira linha da luta.
Sendo Portugal um país com baixa qualificação académica da sua força de trabalho - e tendo em conta a importância da formação num mundo cada vez mais competitivo -, o número crescente de licenciados a saírem das universidades deveria ser uma boa notícia. Mas não é. No actual cenário de crise, os jovens são os mais prejudicados pela extinção de postos de trabalho e, entre eles, os que investiram na formação académica são exactamente os que se deparam com mais portas fechadas.
Elísio Estanque, professor de Economia e investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, considera que este discurso das centrais sindicais é "ainda mais apropriado pelo facto de o instinto de sobrevivência e o individualismo criarem junto dos jovens alguma resistência às formas de luta colectiva". Cabe ao sindicalismo encontrar "formas de os sensibilizar e mobilizar".
"O individualismo assume-se em situações de desafogo, quando há oportunidades. Em situações de crise, isto muda", diz Elísio Estanque, convicto de que "o individualismo já atingiu o seu ponto de exaustão". "Acho natural que, por desespero ou consciencialização, os jovens comecem a organizar-se de outra forma." Nesse sentido, "a recente invasão pacífica de um call-center pode ser um sinal dos tempos".
Formas de luta mais imaginativas conseguem tornear as dificuldades colocadas por um sistema que os impede de "dar a cara de forma explícita". Com contratos a prazo ou a recibos verdes, não é fácil afrontar a entidade patronal, para mais numa altura em que se vive um "défice democrático", na opinião de Elísio Estanque: "Ser sindicalizado é ser criminoso, diabolizam-se os sindicatos de forma excessiva. E a repressão, o controlo e o despotismo acabam por privilegiar os medíocres em detrimento dos mais competentes. A fidelidade é mais importante do que a competência."
Os melhores estão a sair?
Com poucos (e maus) empregos à sua espera, não espanta que muitos jovens optem por deixar o país. O fluxo da emigração atingiu nesta década valores só comparáveis aos do êxodo dos anos 60 do século passado e os números só baixaram nos últimos dois anos porque a crise também se faz sentir lá fora. Rui Pena Pires, sociólogo e professor do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, em Lisboa, fala em 60.000 saídas por ano - eram à volta de 70.000 na década de 1960. Os números são diferentes, no entanto, porque antigamente "quase ninguém regressava no curto prazo e agora a mobilidade é maior".
"Ainda não há estatísticas por idade, só daqui a uns seis meses. Mas a emigração concentra-se na população activa jovem... Por dedução, pensamos serem esses os que estão a sair", explica o coordenador do projecto de investigação Atlas das Migrações. Quando chegarem, os números tratarão de confirmar o sentimento geral. "Todos nós conhecemos gente que saiu recentemente de Portugal. Os meus dois filhos, por exemplo, estão fora do país."
Mais preparados, em muitos casos até com relacionamentos cultivados em programas de intercâmbio estudantil, os licenciados estão na primeira fila dos que olham para lá das fronteiras. O mercado de trabalho é global. O Banco Mundial calculou que um quinto dos licenciados portugueses vive fora do país e uma afinação dos números aponta para um dado ainda mais significativo: um em cada dez (11 por cento) licenciados tira o "canudo" por cá, antes de emigrar.
"Não é um número terrível. No Reino Unido, são 10 por cento os recém-licenciados que emigram. Mas, lá, as entradas de pessoas com qualificações universitárias mais do que compensam este fluxo. Em Portugal, não", analisa Rui Pena Pires. Ou seja, neste momento, Portugal é um exportador de cérebros. Alguns saem porque as suas carreiras (na investigação científica ou em multinacionais, por exemplo) apontam nessa direcção. A maior parte sai porque não tem perspectivas de futuro. "Temos de contar com as gerações que estão a chegar, se queremos que a economia seja competitiva, que as pessoas se sintam seguras, que a democracia floresça", lembra Elísio Estanque. "Mas, pelos indícios que temos, os mais qualificados, os mais competentes, são os mais ousados e os que assumem o risco de ir para fora...""É preciso alargar horizontes"
Bruno Cea, 24 anos, licenciado em Negócios Internacionais (Universidade do Minho)
Aconteceu a Bruno o que tantas vezes acontece a quem procura uma saída: apareceram-lhe duas. Há cinco meses, entre uma "boa proposta" de estágio numa empresa e a "oportunidade única" de estagiar no Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), escolheu a segunda. "As oportunidades aparecem; é preciso é estarmos prontos para as agarrar."
Terminada a licenciatura, trabalhou num restaurante e foi a Angola, onde percebeu que há "boas oportunidades" mas a prioridade é dada "a jovens quadros angolanos". Regressou a Barcelos e começou a procurar trabalho. "O mercado pede coisas a um recém-licenciado, como "três anos de experiência"..."
Agora está em Lisboa e foi "muito bem recebido" no MNE, onde está apostado em "desenvolver competências". Bruno diz que "é preciso alargar horizontes", sejam eles geográficos ("Não podemos confinar-nos ao mercado doméstico") ou intelectuais ("Tudo o que aprendemos faz-nos crescer enquanto pessoas.")
A "precariedade, o desemprego, o custo de vida, as propinas elevadas e as práticas em algumas empresas" justificam o descontentamento das pessoas e elas têm o direito de se manifestar. Mas Bruno acha que a greve não é a melhor solução: "O que é importante para os jovens é que se aposte em dar-lhes competências."
(...)
in Publico
Portugal está a deixar cair a geração mais qualificada
24.11.2010 - 11:34 Por Luís Francisco
Nunca houve tantos licenciados em Portugal. E nunca foi tão difícil para os jovens encontrar emprego. As centrais sindicais dizem que a greve geral também é feita em nome desta geração que se pode perder, entre a precariedade e o apelo da emigração. Num cenário de "défice democrático" no mundo laboral, os melhores são os que arriscam sair do país.
A taxa de desemprego entre os jovens mais do que duplica o índice geral. Entre os que arranjam emprego, só cerca de um terço escapa à regra dos contratos a termo, recibos verdes e outras formas de precariedade. Um em cada dez licenciados abandona o país. É o retrato de uma geração sem saída. Em tempos de greve geral, não espanta que as centrais sindicais tenham colocado os jovens na primeira linha da luta.
Sendo Portugal um país com baixa qualificação académica da sua força de trabalho - e tendo em conta a importância da formação num mundo cada vez mais competitivo -, o número crescente de licenciados a saírem das universidades deveria ser uma boa notícia. Mas não é. No actual cenário de crise, os jovens são os mais prejudicados pela extinção de postos de trabalho e, entre eles, os que investiram na formação académica são exactamente os que se deparam com mais portas fechadas.
Elísio Estanque, professor de Economia e investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, considera que este discurso das centrais sindicais é "ainda mais apropriado pelo facto de o instinto de sobrevivência e o individualismo criarem junto dos jovens alguma resistência às formas de luta colectiva". Cabe ao sindicalismo encontrar "formas de os sensibilizar e mobilizar".
"O individualismo assume-se em situações de desafogo, quando há oportunidades. Em situações de crise, isto muda", diz Elísio Estanque, convicto de que "o individualismo já atingiu o seu ponto de exaustão". "Acho natural que, por desespero ou consciencialização, os jovens comecem a organizar-se de outra forma." Nesse sentido, "a recente invasão pacífica de um call-center pode ser um sinal dos tempos".
Formas de luta mais imaginativas conseguem tornear as dificuldades colocadas por um sistema que os impede de "dar a cara de forma explícita". Com contratos a prazo ou a recibos verdes, não é fácil afrontar a entidade patronal, para mais numa altura em que se vive um "défice democrático", na opinião de Elísio Estanque: "Ser sindicalizado é ser criminoso, diabolizam-se os sindicatos de forma excessiva. E a repressão, o controlo e o despotismo acabam por privilegiar os medíocres em detrimento dos mais competentes. A fidelidade é mais importante do que a competência."
Os melhores estão a sair?
Com poucos (e maus) empregos à sua espera, não espanta que muitos jovens optem por deixar o país. O fluxo da emigração atingiu nesta década valores só comparáveis aos do êxodo dos anos 60 do século passado e os números só baixaram nos últimos dois anos porque a crise também se faz sentir lá fora. Rui Pena Pires, sociólogo e professor do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, em Lisboa, fala em 60.000 saídas por ano - eram à volta de 70.000 na década de 1960. Os números são diferentes, no entanto, porque antigamente "quase ninguém regressava no curto prazo e agora a mobilidade é maior".
"Ainda não há estatísticas por idade, só daqui a uns seis meses. Mas a emigração concentra-se na população activa jovem... Por dedução, pensamos serem esses os que estão a sair", explica o coordenador do projecto de investigação Atlas das Migrações. Quando chegarem, os números tratarão de confirmar o sentimento geral. "Todos nós conhecemos gente que saiu recentemente de Portugal. Os meus dois filhos, por exemplo, estão fora do país."
Mais preparados, em muitos casos até com relacionamentos cultivados em programas de intercâmbio estudantil, os licenciados estão na primeira fila dos que olham para lá das fronteiras. O mercado de trabalho é global. O Banco Mundial calculou que um quinto dos licenciados portugueses vive fora do país e uma afinação dos números aponta para um dado ainda mais significativo: um em cada dez (11 por cento) licenciados tira o "canudo" por cá, antes de emigrar.
"Não é um número terrível. No Reino Unido, são 10 por cento os recém-licenciados que emigram. Mas, lá, as entradas de pessoas com qualificações universitárias mais do que compensam este fluxo. Em Portugal, não", analisa Rui Pena Pires. Ou seja, neste momento, Portugal é um exportador de cérebros. Alguns saem porque as suas carreiras (na investigação científica ou em multinacionais, por exemplo) apontam nessa direcção. A maior parte sai porque não tem perspectivas de futuro. "Temos de contar com as gerações que estão a chegar, se queremos que a economia seja competitiva, que as pessoas se sintam seguras, que a democracia floresça", lembra Elísio Estanque. "Mas, pelos indícios que temos, os mais qualificados, os mais competentes, são os mais ousados e os que assumem o risco de ir para fora...""É preciso alargar horizontes"
Bruno Cea, 24 anos, licenciado em Negócios Internacionais (Universidade do Minho)
Aconteceu a Bruno o que tantas vezes acontece a quem procura uma saída: apareceram-lhe duas. Há cinco meses, entre uma "boa proposta" de estágio numa empresa e a "oportunidade única" de estagiar no Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), escolheu a segunda. "As oportunidades aparecem; é preciso é estarmos prontos para as agarrar."
Terminada a licenciatura, trabalhou num restaurante e foi a Angola, onde percebeu que há "boas oportunidades" mas a prioridade é dada "a jovens quadros angolanos". Regressou a Barcelos e começou a procurar trabalho. "O mercado pede coisas a um recém-licenciado, como "três anos de experiência"..."
Agora está em Lisboa e foi "muito bem recebido" no MNE, onde está apostado em "desenvolver competências". Bruno diz que "é preciso alargar horizontes", sejam eles geográficos ("Não podemos confinar-nos ao mercado doméstico") ou intelectuais ("Tudo o que aprendemos faz-nos crescer enquanto pessoas.")
A "precariedade, o desemprego, o custo de vida, as propinas elevadas e as práticas em algumas empresas" justificam o descontentamento das pessoas e elas têm o direito de se manifestar. Mas Bruno acha que a greve não é a melhor solução: "O que é importante para os jovens é que se aposte em dar-lhes competências."
(...)
in Publico
Subscribe to:
Posts (Atom)